Fernando Simonetti

Um convite ao cuidado que une ciência, consciência e fé.

 

Ao longo dos anos de consultório, sempre que olho a pele de alguém eu me lembro: ela é o nosso maior órgão, nosso “envoltório de vida”, um presente de Deus que nos protege, sente, comunica e guarda histórias. Cuidar dela não é vaidade — é responsabilidade. É sobre isso que quero conversar com você hoje: de forma simples, direta e humana — sobre câncer de pele.

 

O que é o câncer de pele?

O câncer de pele é o crescimento desordenado de células cutâneas que passam a se multiplicar de forma anormal. Existem dois grandes grupos:

 

Câncer de Pele Não Melanoma

Compreende principalmente o carcinoma basocelular (CBC) e o carcinoma espinocelular (CEC). São os mais frequentes e, quando identificados cedo, costumam ter ótimo prognóstico.

 

Melanoma

Menos comum, porém mais agressivo, com maior risco de metástases se o diagnóstico demorar. A detecção precoce muda a história.

 

Importante:

o câncer de pele é comum, mas altamente tratável quando descoberto no início. A chave está em observar e agir.

 

Sinais de alerta — Quando procurar o dermatologista?

Você não precisa decorar nomes complicados. Foque no que muda ou não cicatriza:

  • Ferida que não cicatriza em 3 a 4 semanas, sangra, coça ou forma crosta repetidamente;
  • Mancha ou “pinta” que muda de tamanho, forma, cor ou relevo;
  • Lesões novas em áreas muito expostas ao sol (face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, dorso das mãos e antebraços);
  • No caso do melanoma, lembre-se do ABCDE das pintas:
    • Assimetria
    • Bordas irregulares
    • Cores variadas
    • Diâmetro maior ou crescimento
    • Evolução (qualquer mudança recente)

 

Se percebeu algo assim, não espere “doer” — muitas lesões não doem. Dor não é o termômetro. Marque avaliação.

 

Fatores envolvidos — Não é culpa do sol, é sobre como nos expomos!

A radiação ultravioleta (UV) é um fator importante, sim. Mas reduzir tudo a “o sol é o vilão” é simplificar demais. O sol faz parte da criação de Deus e nos traz benefícios, como a vitamina D, a regulação do humor e o ritmo biológico, por exemplo. O problema costuma estar no padrão de exposição e em outros fatores associados:

  • Exposição inadequada: longos períodos sem proteção, horários de maior radiação, queimaduras repetidas, “maratona de sol” nos fins de semana ou férias;
  • Pele desidratada e barreira cutânea fragilizada: pouca água e hidratação insuficiente;
  • Tabagismo e álcool, especialmente durante a exposição solar;
  • Tipo de pele muito clara, histórico de queimaduras e antecedentes familiares;
  • Imunossupressão (doenças, transplantes, medicamentos);
  • Envelhecimento populacional e exposição acumulada ao longo da vida.

 

Resumo:

O sol não é o inimigo. A falta de cuidado, a pressa e os excessos, sim. Responsabilidade e equilíbrio fazem diferença.

 

Como prevenir com bom senso (e sem demonizar o sol)?

  • Exposição consciente: prefira horários de menor radiação e use chapéu, óculos, roupas com proteção UV e protetor solar adequado ao seu tipo de pele;
  • Protetor solar do jeito certo: quantidade suficiente, reaplique a cada 2–3 horas e não esqueça orelhas, lábios, pescoço, dorso das mãos e pés;
  • Hidratação interna e externa: beba água e use hidratantes regularmente;
  • Evite álcool e cigarro, especialmente em dias de exposição solar intensa;
  • Autoexame mensal: conheça sua pele. Observe “novidades” e mudanças;
  • Consultas de rotina: mesmo sem queixas, o dermatologista identifica lesões silenciosas e orienta prevenção personalizada.

 

Proteger-se não é viver com medo do sol — é viver com sabedoria.

 

Tratamentos Disponíveis

O tratamento depende do tipo de câncer, conforme o seu grau de agressividade e a profundidade na qual ele está instalado.

 

Câncer de Pele Não Melanoma

O tratamento mais comum é a remoção cirúrgica da lesão. Em casos selecionados, podem ser usadas técnicas como crioterapia, eletrocoagulação, terapias tópicas ou radioterapia.

 

Melanoma

Requer abordagem cirúrgica com margens adequadas e, conforme o estágio, podem entrar imunoterapia e terapias-alvo. Quanto mais cedo, menos agressivo tende a ser o tratamento e melhor o resultado.

 

Diagnóstico precoce costuma significar tratamentos mais simples, cicatrizes menores e mais tranquilidade.

 

Por que os casos aumentam no mundo mesmo com mais cuidados?

Essa é uma pergunta que também me faço — e que vale uma reflexão honesta. Não há uma única resposta, mas um conjunto de fatores que caminham juntos:

  1. Vivemos mais: a população está envelhecendo. Mais anos de vida = mais tempo de exposição acumulada.
  2. Detectamos melhor: há mais informação, exames e acesso ao dermatologista, o que aumenta os diagnósticos.
  3. Padrões de exposição: exposição intensa e intermitente nos fins de semana ou férias é especialmente relacionada a certos tipos de câncer de pele.
  4. Uso inadequado do protetor: pouca quantidade, falta de reaplicação e crença no “escudo total” criam uma falsa segurança.
  5. Barreira cutânea fragilizada: pele ressecada, estresse, álcool e cigarro diminuem a capacidade de reparo.
  6. Estilo de vida moderno: poluição, medicamentos fotossensibilizantes e vida corrida.
  7. Sabemos o que fazer, mas nem sempre fazemos: o conhecimento existe, mas falta constância no cuidado diário.

A prevenção funciona — mas exige hábito, não apenas informação.

 

Compromisso prático com o autocuidado!

  • Reserve 5 minutos por mês para observar sua pele em boa luz.
  • Tenha um “kit de rotina ao ar livre”: chapéu, óculos, protetor, água e hidratante labial com FPS.
  • Marque consulta de rotina com o dermatologista de confiança — mesmo que esteja tudo bem.
  • Se notar qualquer ferida que não cicatriza ou pinta que mudou, procure avaliação.

 

Cuidar do corpo é um ato de amor a Deus e a quem nos ama. A pele é parte dessa mordomia: merece atenção, respeito e gratidão.

 

O câncer de pele é comum, mas tem alta chance de cura quando diagnosticado cedo. O sol não é o vilão; o problema está nos excessos e na falta de cuidado.

Prevenção inteligente é um conjunto de atitudes: proteção, hidratação, hábitos saudáveis e consultas de rotina.

Não guarde dúvidas — busque orientação. Cuidar é um gesto de fé e sabedoria.

 

Dr. Fernando Simonetti

CRM-SC 21.394

@drfernandosimonetti